A lei de Moore e o paradigma de enxergar o futuro

Há 40 anos atrás o diretor de desenvolvimento da Fairchild Semiconductor, Gordon E. Moore, escreveu um artigo na revista Electronics sobre a evolução dos microprocessadores e suas aplicações futuras. No artigo publicado em 19 de abril de 1965 ele apresentava a nova tecnologia de miniaturização dos componentes nos chips de silício. Ele fez uma previsão que 1975 seria possível integrar até 65.000 componentes num único chip. Predisse também que a capacidade de armazenamento de um chip se duplicaria a cada um ou dois anos. As previsões foram tão certeiras que sua profecia passou a ser conhecida como a Lei de Moore. Nesse primeiro artigo sobre a evolução dos microprocessadores foi publicada a figura abaixo, mostrando um vendedor numa loja, provavelmente de departamentos, vendendo computadores pessoais. Certamente, muitas pessoas o consideram lunático (usando a expressão da época). Mais tarde, Gordon Moore assumiu a presidência da Intel.



Interessante observar que milhões de pessoas e empreendedores tiveram acesso a esse artigo, incluindo muito provavelmente os presidentes da IBM e da Digital Equipment. Mesmo com a evidência da efetividade da Lei de Moore, a IBM e a Digital demoram demais para aceitar o fato que o computador poderia ser um bem de consumo. Esse paradigma de enxergar o futuro trouxe conseqüências desastrosas para ambas as empresas: a IBM, apesar de ter criado o padrão do PCs atuais, nunca se firmou no mercado de PCs e, mais recentemente vendeu sua divisão de PCs para a chinesa Lenovo; a Digital Equipment... não existe mais (muitos do meus alunos exclamam Digital o quê!!!).

Esses fatos mostram que devemos ficar atentos a qualquer movimento social, econômico e tecnológico e procurarmos desenvolvermos cenários prospectivos para construirmos uma visão de futuro. Devemos sempre estar de mentes abertas para enxergar além dos cenários cotidianos que vivemos e avaliarmos qualquer tendência de mercado.