A regra é clara

Publicado em 7-julho-2006

As seleções de futebol na Copa do Mundo dão ótimas lições de administração e motivação de equipes. O fracasso da seleção brasileira que tinha, em teoria, os melhores jogadores não conseguiu formar uma grande equipe. As seleções de Portugal, Itália e Alemanha mostraram que o senso de equipe e objetivo claro superam obstáculos.

Em minha opinião a seleção brasileira experimentou a síndrome da Microsoft frente à Internet. Imagine trabalhar numa empresa onde os “players” chaves são milionários. Ao longo da história da Microsoft muitos programadores recebiam ações da empresas como parte da remuneração, com o passar dos anos e o sucesso dos produtos da Microsoft as ações valorizaram e os funcionários tornaram-se, literalmente, milionários. Como administrar uma empresa desse perfil? Imagine dizer para um desses funcionários que se eles não atingissem determinados objetivos eles estariam demitidos! Para completar o cenário, quando a Internet começou a crescer seu principal líder disse que isso não passava de coisa de universitários. Pois é, até o Bill Gates não acerta todas. Entretanto, no momento em que a turma da Microsoft percebeu que iriam perder o barco iniciaram a maior operação de adequação de software para um novo ambiente que se tem noticias. Os programadores levaram seus sacos-de-dormir para o escritório e trabalharam ininterruptamente até concluírem o objetivo. Hoje os softwares da Microsoft são referências na Internet. Não vamos entrar no mérito das estratégias utilizadas e muito questionadas no mercado.

A motivação de equipes pode ser conseguida de duas formas: (1) ter um líder forte e inspirador que sabe onde quer chegar e consegue persuadir seus seguidores a trabalhar de forma organizadas, mesmo que de forma independente, para atingir o objetivo; e, (2) o grupo entender perfeitamente o objetivo e trabalhar de forma que seus objetivos individuais sejam suplantados pelo objetivo coletivo.

Equipes que conseguem ter os dois componentes motivadores se superam e atingem objetivos além do esperado. Acredito que a seleção de Portugal tenha conseguido esses dois componentes nas quartas de finais. Antes, o time foi motivado pelo líder Luiz Felipe Scolari. Já a seleção da Itália foi motivada pelo objetivo claro. Mesmo com a confusão dos times italianos acusados de envolvimento com a Máfia não afetou a desempenho da equipe e seus jogadores superaram seus objetivos individuais pelo interesse coletivo. Esse sentimento, provavelmente, foi mais forte na equipe alemã que tinha o compromisso com seus cidadãos.

Para a seleção brasileira faltaram os dois componentes. Se não vejamos, afinal quem era o líder da seleção? Zagalo, Parreira, Ricardo Teixeira ou a Nike? A ausência de um líder definindo o objetivo da equipe é fundamental para o direcionamento das ações. Mas afinal qual era o objetivo da seleção? Valorização dos atletas? Aumento de vendas da Nike? Maior prestígio para o Ricardo Teixeira? Ou, consolidar o Brasil como o Pais do futebol e levar alegria para o povo brasileiro?

Em minha opinião, a falta de respostas a essas perguntas básicas levou o fracasso da seleção brasileira. E a regra é clara... sem senso de equipe e objetivo claro não se consegue sucesso.