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Contribuições de TIC para a Estratégia de Negócios
A
área de tecnologia da informação e comunicação (TIC) oferece grandes
oportunidades de crescimento sustentável e competitividade para as
empresas. Entretanto, a tecnologia por si só sem alinhamento
estratégico com o negócio não faz sentido. Introduzir novos
artefatos de hardware e software não garante aumento de
produtividade do pessoal e melhoria de processos. Para que as
iniciativas de tecnologia tenham sucesso é necessário estabelecer
uma linguagem comum e definir um mapa unificado entre o negócio e
TIC. Uma forma de buscar esse alinhamento e demonstrar o valor das
iniciativas de TIC é utilizar uma matriz de valor focada em duas
dimensões: criticidade do empreendimento e a prática de inovação.
Existem três questões polêmicas sobre tecnologia da informação e
comunicação:
A resposta da questão #1 é que tecnologia e negócio são de naturezas
diferentes. Enquanto a tecnologia avança rapidamente, as práticas de
negócios evoluem de forma mais lenta e são mais estáveis. Empresas
que valorizam demais a tecnologia e ignoram os aspectos de negócios
tendem ao insucesso. Entretanto, a combinação de estratégias de
tecnologia e negócio dentro de um mapa unificado de ações irá
produzir resultados extraordinários. Um dos maiores desafios dos
executivos de negócios e de TIC é criar um ambiente de confiança e
de colaboração para facilitar a interação entre as áreas. Para isso
acontecer o alto escalão da empresa deve apoiar essas iniciativas.
A resposta da questão #2 gira em torno da discussão sobre como medir o
retorno de investimento das iniciativas de TIC nas áreas de
negócios. Essa métrica é de difícil mensuração devido à natureza
multidimensional do retorno de investimento e deve ser tratada em
várias dimensões, considerando parâmetros quantitativos,
qualitativos e orientação na melhoria de processos. A tecnologia da
informação não pode ser encarada como um ativo, e sim como um
direcionador e capacitador de iniciativas estratégicas da empresa.
Os gerentes de TIC são, constantemente, acusados de não entenderem
do negócio e de não buscarem o alinhamento estratégico. Porém,
muitas vezes a alta direção da empresa não se envolve nas principais
questões de tecnologia deixando aos profissionais a responsabilidade
da tomada de decisão de temas críticos que podem afetar a
competitividade e sustentabilidade da empresa.
A resposta da questão #3 é a mais polêmica e talvez, a que mais
contribuía para que a TIC tenha uma imagem de área de suporte aos
negócios, sem uma importância estratégica relativa. Se a área de
tecnologia é reativa as solicitações das áreas de negócios, sempre
ficará a impressão que as soluções são commodity, mesmo que essa
solução introduza inovações tecnológicas. A única alternativa para
mudar esse conceito é a área de TIC passar a atuar como entidade
transformadora dentro da empresa através de ações que demonstrem sua
real contribuição estratégica ao negócio.
Uma das formas de identificar iniciativas que tragam contribuições de
TIC para a estratégia de negócios é a matriz de valor, composta de
quatro quadrantes em duas dimensões: a criticidade do empreendimento
e a prática da inovação. Essa abordagem é interessante, pois reúne
simplicidade e associa duas perspectivas de interesse do alto
escalão da empresa.
Figura 1. Quadrantes da Matriz de Valor
Um processo de mudança requer aprendizado e deve ser evolutivo. Uma
organização de TIC que busca
ser reconhecida como transformadora deve iniciar a
desenvolver aplicações táticas inovadoras que não traga impacto à
organização. Aproveite uma plataforma já existente e que seja de
pleno domínio da equipe para desenvolver uma aplicação que agregue
uma pequena inovação a um novo processo de negócio em
desenvolvimento. Por exemplo, é poss��vel utilizar a plataforma de
GIS (Geographic Information System) de uma distribuidora de energia
para fazer a prospecção de demanda de clientes para um novo negócio
baseado no consumo de energia de uma determinada região. Esse estudo
tem baixo impacto na organização e apresenta outros parâmetros para
a tomada de decisão sobre o novo negócio.
No quadrante de “experimentação racional” a prática de inovação deve
trazer alguns resultados tangíveis como aumento da receita e
participação efetiva na criação de novos produtos ou serviços. Ainda
são aplicações de baixo impacto nos negócios, porém já a
participação de TIC no processo deve ser reconhecida. Um exemplo de
projeto nesse quadrante foi às vendas de carros pela Internet no
inicio do século. Foi uma iniciativa que embora tivesse uma enorme
expectativa de abertura de um novo canal de vendas não impactava os
negócios das montadoras de automóveis. Sua desativação anos depois
não trouxe nenhum impacto para o negócio.
Já o quadrante de “Estratégias Marcantes” temos exemplos famosos como o
Submarino, Americanas, Mercado Livre, Amazon.com, eBay, Yahoo!,
Google e outros. Nesses casos, os processos de negócios são
decisivos para a competitividade e sustentabilidade dos negócios. A
inovação se traduz em crescimento, criação de valor e geração de
receita para a empresa. Essas empresas criaram um novo padrão de
mercado que transformou os hábitos dos clientes. Os pioneiros devem
aceitar elevados riscos.
No quadrante de “Excelência Operacional” estão as iniciativas apoiadas
fortemente por TIC para a transformação de processos críticos de
negócios. Nesse quadrante não existe lugar para o insucesso. Um
exemplo é a implantação do novo sistema comercial da distribuidora
de energia AES Eletropaulo em São Paulo em 2008. O sistema trouxe
uma profunda transformação dos processos em toda empresa afetando,
literalmente, todas as áreas de negócio da empresa. O desafio foi
fazer a implantação do novo sistemas não impactasse os 6 milhões de
clientes da maior distribuidora de energia da América Latina. O
resultado foi o aperfeiçoamento dos processos e um aumento
significante dos controles e eficiência operacional. Esse novo
sistema criou uma base de informações estruturada que serve como
alicerce para o desenvolvimento de novos projetos.
Como parte da gestão das estratégias empresariais através do BSC
(Balance Scorecard) as iniciativas de tecnologia são classificadas
como capital da informação e são medidas da seguinte forma:
O desafio das áreas de TIC é demonstrar sua capacidade de ser um
agente de transformação dentro das organizações e participar
diretamente na tomada de decisões, deixando de ter apenas o papel de
suporte nas organizações.
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