Disaster Recovery Plan (DRP)
Introdução
O principal objetivo de um plano de continuidade de negócios (BCP –
Business Continuity Plan) é garantir a operação da empresa com o
mínimo impacto aos clientes em situações de contingência. No atentado de
11 de setembro de 2001 as Torres Gêmeas do World Trade Center de Nova
Iorque, as empresas que tinham BCPs bem estruturados reiniciaram suas
operações poucas horas depois do atentado terrorista.
Algumas empresas subestimam os riscos de um desastre e não investem em
BCPs. Os planos de continuidade de negócios podem ser classificados em
dois tipos: os Planos de Continuidade das áreas de negócios e os Planos
de Recuperação de Desastres (DRP – Disaster Recovery Plan) do
Centro de Processamento de Dados.
Em muitos casos as áreas de negócios das
empresas dependem fortemente do processamento de dados para suas
atividades e uma paralisação do processamento pára o negócio da empresa.
Um exemplo foi a paralisação do serviço de e-mail do provedor de
Internet Terra por dois dias devido a um problema no subsistema de
armazenamento de dados, em abril de 2003. O site Terra teve que abonar
dois dias da mensalidade dos seus 800 mil assinantes com um prejuízo de
mais de R$400 mil.
Por essa razão as empresas investem em
planos de recuperação de desastre (DRP) e não em planos de continuidade
em suas áreas de negócios. Talvez, as exceções sejam as instituições
financeiras que são mais sensíveis às paralisações de negócios motivadas
por greves e blecautes de energia.
Esse estudo focará no plano de recuperação
de desastre dos centros de processamento de dados – DRP.
Objetivos do DRP
O objetivo preliminar de um plano de
recuperação de desastre (DRP) é permitir que uma organização sobreviva a
um desastre e que possa restabelecer as operações dos negócios. A fim de
sobreviver as empresas devem assegurar que as operações críticas possam
recomeçar o processamento normal dentro de um espaço de tempo razoável.
Para atingir esses objetivos o DRP deve atender os seguintes requisitos:
-
Prover um ambiente seguro e pessoas
preparadas para um desastre;
-
Reduzir as perdas financeiras em casos
de desastres;
-
Identificar linhas de negócios críticas
que requeiram suporte em situações de desastres;
-
Identificar as fraquezas e executar um
programa da prevenção de desastre;
-
Minimizar a duração de uma paralisação
das operações de negócio;
-
Facilitar a coordenação eficaz de
tarefas da recuperação; e,
-
Reduzir a complexidade do esforço de
recuperação.
Etapas de um DRP
O desenvolvimento de um DRP envolve a
criação de uma "planta de recuperação" para restaurar os recursos
computacionais com as funções vitais de processamento de dados para
atender as necessidades dos negócios da empresa. O plano deve procurar
restabelecer o ambiente de processamento no menor tempo possível a fim
de evitar um efeito catastrófico nos negócios. O desenvolvimento de uma
estratégia viável de recuperação não deve ser uma iniciativa exclusiva
da área de processamento de dados, mas de toda a organização para
proteger os interesses da empresa.
Para atender esse objetivo deve se adotar
uma metodologia que enfatize os seguintes pontos chaves:
-
Fornecer a gerência uma compreensão
detalhada do esforço total requerido para tornar e manter uma planta
de recuperação eficaz;
-
Obter o compromisso da gerência
apropriada para suportar e participar no esforço de recuperação;
-
Definir as exigências de recuperação na
perspectiva do negócio;
-
Documentar o impacto de uma perda
prolongada às operações e ao negócio;
-
Selecionar as equipes do DRP para
testes, atualizar e assegurar uma execução eficaz do plano;
-
Desenvolver uma "planta de recuperação"
que seja compreensível, fácil de usar e manter;
-
Definir como as premissas do DRP devem ser integradas aos processos
de negócio para uma recuperação no tempo necessário para não haver
ruptura nos processos de negócios
Para se atingir um planejamento eficaz é
necessário que o pessoal sênior de sistemas de informação e das áreas de
negócios estejam envolvidos durante todo o projeto para o beneficio da
organização.
O planejamento do DRP deve prever as
seguintes etapas:
-
Fase 1 - Pré-planejamento das atividades
-
Fase 2 - Avaliação da vulnerabilidade e definição das exigências do
projeto
-
Fase 3 – Avaliação de impacto no negócio
-
Fase 4 – Definição detalhada das exigências
-
Fase 5 – Desenvolvimento do plano
-
Fase 6 – Plano de teste/simulação
-
Fase 7 – Programa de manutenção
-
Fase 8 – Testes iniciais e implementação
Fase 1 – Pré-planejamento das atividades
Essa fase determina as necessidades iniciais
do projeto com base em informações sobre os requerimentos de
processamento de dados para as funções criticas da empresa. Isso permite
a equipe refinar o escopo de trabalho e identificar os aspectos críticos
para o sucesso do projeto.
Durante esta fase o comitê executivo do projeto (Steering Committee)
deve ser estabelecido. O comitê tem a responsabilidade total para
fornecer o sentido e a orientação à equipe do projeto. O comitê deve
também tomar todas as decisões relacionadas ao esforço de planejamento
do DRP. O gerente de projeto deve trabalhar com o comitê para finalizar
o planejamento detalhado e desenvolver entrevistas para avaliar a
segurança e elaborar a análise de impacto no negócio.
Outros dois aspectos chaves desta fase são:
o desenvolvimento de uma política para suportar os programas da
recuperação; e um programa para educar a gerência e as pessoas-chave do
projeto nas atividades que lhes serão atribuídas.
Fase 2 – Avaliação da vulnerabilidade e
definição das exigências do projeto
Como diz o ditado é melhor evitar que
remediar. Essa fase analisa as vulnerabilidades do ambiente de
processamento e avalia as possibilidades de ocorrência de um desastre.
Essa análise deve conduzir medidas para reduzir a probabilidade de
desastre.
Esta fase incluirá as seguintes tarefas
chaves:
Uma avaliação completa da segurança do
ambiente de processamento de dados e do ambiente das comunicações,
incluindo:
-
Pessoal;
-
Segurança física;
-
Procedimentos operacionais;
-
Planejamento de apoio e de contingência;
-
Desenvolvimento e manutenção dos sistemas;
-
Segurança das bases de dados;
-
Segurança de comunicações dos dados e voz;
-
Sistemas e segurança do software de controle do acesso;
-
Apólices de seguro;
-
Planejamento e administração da segurança;
-
Controles da aplicação;
-
Computadores pessoais.
A avaliação da segurança permitirá a equipe
de projeto melhorar os procedimentos de emergência existentes e medidas
de prevenção de desastres.
Recomendações de atividades sobre a
segurança devem ser encaminhadas ao comitê executivo de modo que as
ações corretivas possam ser iniciadas em um momento oportuno.
Definição do esforço do planejamento.
Análise, recomendação e compra de um
software para a manutenção e controle permanente do DRP.
Desenvolvimento da estrutura da "planta de
recuperação".
Montagem da equipe do projeto.
3) Fase 3 – Avaliação de Impacto no Negócio
Nessa fase é realizada uma avaliação de
impacto nos negócios de todas as unidades da empresa para identificar os
sistemas, processos e funções críticas. Essa análise de impacto
econômico deve avaliar a negação de acesso aos serviços de sistemas e
outros serviços e facilidades. Deve-se definir também qual o máximo
tempo de sobrevivência do negócio sem acesso aos sistemas.
O relatório de avaliação de impacto deve ser
apresentado ao comitê executivo. Esse relatório identifica as funções
críticas dos serviços e os tempos que devem ser recuperados os sistemas
em caso de desastre. As informações são usadas como base para definir os
recursos necessários para suportar os serviços críticos.
Fase 4 – Definição detalhada das
exigências
Durante essa fase o perfil das exigências do
plano de recuperação é desenvolvido usando como base o relatório de
impacto no negócio. Devem ser desenvolvidas estratégias alternativas de
recuperação com o auxilio de uma ferramenta para estruturar as
informações, como a técnica da matriz de alternativas. O planejamento
deve contemplar:
-
Hardware (mainframe, servidores, comunicação de dados e voz,
computadores pessoais, impressoras, etc.)
-
Software (pacotes, desenvolvimentos in-house e
desenvolvimento externo)
-
Documentação (processamento de dados, sistemas e usuários)
-
Provedores de serviços externos (telecomunicações, telefonia, web
hosting, etc.)
-
Facilidades (energia, escritórios, equipamentos de escritórios,
etc.)
-
Pessoal.
As estratégias de recuperação devem
completar planos de curto, médio e longo prazo.
Fase 5 – Desenvolvimento do Plano
Nesta fase, os componentes das plantas de
recuperação são definidos e as plantas são documentadas. Esta fase
inclui também a execução das mudanças nos procedimentos dos usuários e a
implementação de processos para suportar as estratégias selecionadas
para a recuperação e as alternativas identificadas.
Devem ser formalizados os acordos
contratuais com os fornecedores de hardware, software e serviços para
suportar o plano de recuperação. As equipes de apoio ao plano de
recuperação devem ser formadas e definidas suas responsabilidades no
plano. Os padrões de recuperação devem ser consolidados nessa fase.
Fase 6 – Plano de Teste/Simulação
O programa de teste/simulação do DRP deve
ser desenvolvido nessa fase. O objetivo dos testes/simulações é validar
o plano de recuperação e fazer os ajustes necessários. Lembrando que os
ambientes de negócios e processamento de dados são dinâmicos, os planos
de recuperação devem ser constantemente revistos, atualizados e
testados.
Fase 7 – Programa de Manutenção
A manutenção das plantas é fator critico de
sucesso de uma recuperação real. As plantas de recuperação devem
refletir as mudanças nos ambientes reais. É crítico que os processos
existentes sejam revisados para fazer a manutenção da planta de
recuperação do cliente através do processo de gerência de mudanças. Nas
áreas onde a gerência de mudanças não existe, esse procedimento deve ser
implementado. Muitos produtos de software de recuperação possuem a
facilidade de gerência de mudanças.
Fase 8 – Testes Iniciais e Implementação
Uma vez os planos desenvolvidos, inicia-se a
fase de implementação e testes. Essa fase deve ser repetida no mínimo
duas vezes por ano ou quando ocorrer uma mudança significativa no
ambiente de processamento de dados ou de negócios.
As seguintes atividades devem ser
realizadas:
-
Definição do escopo do teste;
-
Identificação das equipes de teste;
-
Estruturação do teste;
-
Condução do teste;
-
Análise dos resultados do teste; e,
-
Modificação dos planos de recuperação, se necessário.
O escopo do teste depende da estratégia de
recuperação selecionada, o que reflete os requerimentos de negócio da
empresa. O plano de recuperação desenvolvido deve ser escrito de forma
que seja compreensível e fiel a realidade da organização.
Estrutura Organizacional do DRP
A organização da equipe do projeto de
recuperação deve ser flexível para atender os requisitos desse tipo de
atividade. A implementação, manutenção e execução de um plano de
recuperação exige dedicação do pessoal e trabalho sob pressão. Um fator
crítico de sucesso é a criação de uma organização dedicada para essa
finalidade.
Os planos de recuperação devem ser tratados
como documentos vivos. As informações estão em constante processo de
mudança e a cada dia tornam-se mais integradas e complexas. Os planos de
recuperação devem acompanhar essas mudanças. Os planos de
testes/simulações devem assegurar a capacidade de recuperação do
ambiente considerando as constantes mudanças dos processos. A
organização deve assegurar que a equipe do DRP esteja sempre atualizada
sobre as mudanças nos negócios.
A seguir é apresentado um modelo de
organização para conduzir o plano de recuperação:
1) Comitê Executivo
O comitê executivo deve incluir
representantes das áreas chaves da organização:
-
Sistemas de Informação;
-
Infra-estrutura de tecnologia da informação;
-
Desenvolvimento de Sistemas;
-
Redes de Comunicações de Dados;
-
Comunicação de Voz;
-
Unidades de Negócios.
2) Equipe do Projeto
A composição da equipe do projeto varia de
acordo com o ambiente tecnológico e de negócios onde os planos foram
desenvolvidos. É importante notar que os gerentes dos ambientes
tecnológicos e das unidades de negócios são responsáveis pela manutenção
e teste de seus respectivos planos. Entretanto, o pessoal responsável
pelo planejamento da estratégia de recuperação deve ser o coordenador
das atividades de teste, revisão dos planos e manutenção do plano
principal.
A Auditoria Interna deve ser convidada a
fazer parte de todas as equipes. Os gerentes representados nas diversas
equipes devem recomendar pessoas seniores para representá-los ou eles
próprios participarem das equipes contribuindo com sua experiência no
desenvolvimento dos planos de recuperação.
(1) Equipe Principal
-
Gerente do Projeto;
-
Especialista em operação de computadores e redes de dados;
-
Especialista em suporte de sistemas;
-
Especialista em suporte de voz, redes e telecomunicações.
(2) Equipe Técnica
-
Analista de redes;
-
Analista de infra-estrutura física;
-
Analista de banco de dados;
-
Analista de segurança;
-
Analista de operação;
-
Analista de suporte de rede;
(3) Equipe de Negócios
-
Membros das diversas áreas de negócios que fazem parte do plano
de recuperação.
Recursos Necessários para o DRP
As empresas devem evitar implementar planos
de recuperação sem uma equipe e recursos dedicados para essa finalidade
sob o risco de falharem após altos investimentos. Uma das razões do
fracasso de alguns planos é a falta de comprometimento das equipes na
manutenção e testes do plano de forma continua, o que resulta na perda
da compatibilidade do plano de recuperação com a realidade da empresa.
Para garantir o sucesso do plano de
recuperação deve se investir em três categorias:
(1) Pessoal
Os gerentes devem alocar profissionais experientes e competentes para
participar das equipes de recuperação.
(2) Investimento inicial
A empresa deve investir na compra de equipamentos redundantes nas áreas
de voz e comunicação de dados, processamento de dados (incluindo
servidores e subsistemas de armazenamento de dados), equipamentos
redundantes de geração de energia (UPS, geradores a diesel, etc.) e
equipamentos de apoio (fax, PCs, scanner, copiadoras, etc.).
(3) Despesas recorrentes
As despesas recorrentes incluem o aluguel de espaço para instalar os
computadores e outros equipamentos, contratos de serviços e manutenção.
Uma alternativa eficaz e que exige menos investimentos é a contratação
de uma empresa especializada em DRP, onde é possível contratar todos os
serviços de recuperação, desde o planejamento, manutenção e
equipamentos.
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