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Planejamento baseado em cenários prospectivos O que diferencia os visionários, como Steve Jobs, de outros executivos é a capacidade de enxergar o futuro. As transformações dos negócios estão cada vez mais rápidas e exige que os executivos enxerguem o mercado alguns anos à frente para estruturar as mudanças. Os executivos precisam criar cenários futuros com o máximo de certeza possível e executar ações para transformar os negócios antes da concorrência. Não precisamos de uma bola de cristal para ver o futuro, pois o futuro é construído a partir de nossas decisões. Existem várias técnicas para projetarmos com um bom nível de certeza cenários futuros, chamados de cenários prospectivos. Depois, é executar o plano e influenciar as pessoas certas. Os executivos precisam desenvolver a cultura de desenvolver cenários futuros para orientar suas ações. Infelizmente, a maioria ainda se surpreende com os avanços tecnologias e as mudanças comportamentais dos consumidores. Se olharmos o exemplo da Apple vemos que a partir da construção de um cenário futuro eles desenvolveram novas tecnologias e mudaram o comportamento dos consumidores. Isso mostra uma inversão de pensamento da maioria das pessoas que acreditam que as transformações ocorrem ao acaso. Temos que admitir que nem todas as empresas têm a capacidade financeira e talentos para gerar transformações como a Apple. Entretanto, todas as empresas têm a capacidade de acompanhar as inovações tecnológicas e perceber as transformações dos consumidores. Essas tendências colocadas de forma estruturada geram cenários futuros. Quanto mais informações forem coletadas e analisadas por especialistas, maior será o grau de certeza do cenário futuro. A partir da criação de um cenário futuro, ou prospectivo, começa o trabalho de planejamento para levar a empresa do seu estágio atual para o estágio futuro. Diferente do que muitos pensam esse cenário futuro deve ser compartilhado com todos os funcionários e fornecedores estratégicos. O cenário futuro só se materializa quando é aceito pela maioria das pessoas, ou seja, quando as pessoas acreditam que o cenário irá acontecer. Para isso, temos que influenciar as pessoas, tanto para desenvolver tecnologias alinhadas com essa visão, como para as adotarem no seu cotidiano. O sistema operacional Android para celulares e tablets é um sucesso porque a Google convenceu milhares de programadores de software a desenvolver aplicativos e jogos para o novo sistema. Isso desbancou a Nokia, que já foi o maior fornecedor de celulares do mundo. Um dos métodos que trabalho para desenvolver cenários prospectivos é o Método Godet. O método combina várias técnicas de coleta, discussão com especialistas e validação de cenário. O método é composto por seis fases:
O modelo deve determinar os limites do estudo, seu horizonte temporal e área geográfica. Os elementos e fenômenos envolvidos são interligados e interdependentes. Através da técnica de brainstorming, junto com especialistas, faz-se uma lista preliminar das variáveis relevantes do sistema e de seus principais atores. Posteriormente, faz-se uma revisão mais criteriosa para pôr em evidencia as invariantes do sistema, suas tendências de peso e fatos predeterminados. Identificadas as variáveis relevantes constrói-se uma matriz de análise estrutural. As linhas da matriz determina a motricidade de cada variável e a soma das colunas determina sua dependência.
Na sequencia da análise, calcula-se os pontos médios de motricidade e de dependência, aplicado às fórmulas abaixo, constrói-se o gráfico, onde o eixo dos x corresponde aos valores de dependência e o eixo dos y aos de motricidade.
Existem quatro tipos de variáveis que são classificadas a partir da sua motricidade e da dependência de outras variáveis:
A próxima etapa da análise estrutural do sistema é o desenvolvimento da matriz de atores, ou seja, quem são as pessoas que podem influenciar os cenários futuros. Esses atores podem ser pessoas internas a organização ou pessoas externas. Os políticos são atores importantes na construção de novos cenários, pois eles são capazes de aprovar leis que podem transformar viabilizar um cenário futuro. A função do lobista é influenciar os políticos no Congresso e Senado para apresentar e aprovar leis para a criação de cenários projetados. Interessante observar que os resultados da análise estrutural do sistema são fortemente dependentes das opiniões dos especialistas envolvidos no estudo. Ou seja, para a mesma situação duas empresas podem criar diferentes cenários. O melhor resultado será da empresa que conseguir agir para construir o futuro com mais eficiência. om base no resultado das análises têm-se as condicionantes do futuro, podendo listar as tendências de peso, os fatores portadores de futuro, os fatores predeterminados, as invariantes e as alianças entre os atores. partir de técnicas de análise, tais como análise morfológica e
método de impacto cruzado, podemos definir cenários possíveis. A
elaboração dos cenários leva em conta as variáveis-chave, as
tendências de peso, as estratégias dos atores e os fatos
portadores de futuro. Os cenários devem ser descritos de forma
coerente e a elaboração de um plano para atingir o horizonte
escolhido a partir da situação atual. A partir do plano definido faz-se uma análise dos pontos fortes e fracos da organização em relação aos ambientes futuros, suas oportunidades e ameaças (Análise SWOT). O resultado dessa análise define a estratégia para alcançar o objetivo proposto e um plano de monitoração para assegurar sua execução. Concluindo, é de suma importância para as empresas definir cenários futuros para direcionar suas ações estratégicas para garantir sua competitividade e longevidade. A construção de cenários prospectivos ajuda na formulação de estratégicas e definem ações para sair do momento atual para a situação futura. Publicado em 14/setembro/2011 Eduardo Mayer Fagundes
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